Design Gráfico: do invisível ao ilegível
GRUSZYNSKI, ANA CLAUDIA
Tradicionalmente, a atividade do design tem sido vista pela sociedade com um serviço "artístico" prestado a clientes de diferentes áreas comércio, indústria, editoras, instituições culturais etc. e, portanto, não pode ser considerada uma prática desvinculada de outros interesses. Além disso, associa-se compromisso de comunicar, visando obter determinadas respostas e efeitos do público ao qual se dirige. Entretanto, ao buscar certas reações de sua audiência, o designer tem a possibilidade de usar diferentes recursos e estratégias, transitando por diversas possibilidades de articulação das mensagens em seu aspecto visual.
O profissional de design convive com a dualidade: de um lado, a palavra e/ou a necessidade do cliente; de outro, o desafio de encontrar uma forma singular de expressá-la. Mas qual o seu grau de autonomia para criar e desenvolver leiaute? Em que medida a configuração escolhida interfere na interpretação da palavra do autor? Isso é conveniente ou não nesse caso específico? Enfim, uma série de questionamentos surge no momento de desenvolver um projeto. E é na análise dos vários elementos envolvidos no processo do design cliente, intenção comunicativa, público-alvo, recursos disponíveis etc. [...].
Este livro propõe-se a refletir sobre o design gráfico, procurando evidenciar o caráter mediador dessa área de atuação profissional no processo de comunicação. A que se discussão estabelece identifica, em seus extremos, mediação invisível ou transparente versus a co-autoria da mensagem em seus elementos visuais. Tal reflexão dá-se em torno da tipografia, campo de atuação altamente relevante ao âmbito da dessa prática.

